Guapuruvu - Schizolobium parahyba

O ser humano de maneira em geral gosta de ter perto de si tudo aquilo que faz com que ele se sinta bem. Pessoas, aparelhos eletrônicos, animais de estimação e até as plantas fazem parte dessa seleção. Um bom exemplo disso são os jardins botânicos, o jardim botânico do Rio de Janeiro por exemplo conta com inúmeras plantas exóticas.

Denominamos de planta exótica aquelas plantas provenientes de fora da flora original do local. A plantas pertencentes a flora original nós denominamos como nativa. As plantas exóticas causam graves problemas ambientais, assim o uso de plantas exóticas deve ser muito bem estudado. Porém se engana que mesmo sendo uma espécie  nativa do Brasil que ela não vá ser exótica em alguma parte de nosso território. O Brasil possui um território muito extenso e uma grande diversidade de ecossistemas. Como moro no Vale do Paraíba vou dedicar dois posts para falar a respeito de algumas espécies nativas da minha região. 

A espécie deste post é a Schizolobium parahyba ou para os mais íntimos Guapuruvu, ele leva o nome do rio Paraíba, rio que corta e nomeia a minha região. Esta árvore pioneira de crescimento rápido me encanta pelo seu lindo tronco ereto que sustenta uma bela e ampla copa. Na fase adulta esta árvore atinge de 10 a 40 metros de altura e seu DAP (diâmetro à altura do peito) varia de 30 a 120 cm! Durante os meses de Agosto até Outubro sua florada amarela é alvo fácil dos nossos olhos.

O nome Schizolobium significa "Legume duro". Em algumas regiões o Guapuruvu é conhecido como ficheiro, devido ao fato de suas sementes serem utilizadas como fichas para jogos. Na cidade de Paraty, Rio de Janeiro, muitos pescadores fazem suas canoas com a madeira do Guapuruvu. O seu plantio não é recomendado em lugares muito frequentados devido ao risco de seus ramos caírem em dias de chuva e vento.

Abaixo vocês verão a beleza do Guapuruvu em algumas fotos! 



Palmito Juçara - Euterpe edulis


Já faz algum tempo que quero fazer um post sobre o Palmito Juçara , que é sem dúvidas a minha palmeira favorita.
Minha admiração por essa planta começou nos tempos da faculdade, quando tive a chance de conhecer a Serra do Palmital em Caçapava (que de palmital tem só o nome) .. e que em alguns pontos bem isolados...disse beeeeeem isolados mesmo...é repleta dessa palmeira. Lembro muito bem também de ver em vários pontos das trilhas os rastros dos palmiteiros...mais temidos do que qualquer bicho que poderíamos encontrar pelo caminho...

O palmito Juçara é uma palmeira lindíssima, nativa da nossa Mata Atlântica, mas que está ameaçada de extinção por sua extração sem freios para a venda do palmito....
Só para se ter um ideia...a palmeira demora cerca de 12 anos para atingir a maturidade para o corte do palmito...e cada palmeira rende em média APENAS 20 cm de palmito....

Outra curiosidade interessante é que essa palmeira é pouquíssimo usada em jardins...
Faz um teste...entra em uma loja de plantas e pergunta se eles tem Palmeira/Palmito Juçara para vender...provavelmente o vendedor vai fazer cara de Ué e perguntar pra alguém...ou então você ouve respostas das mais cabeludas do tipo..."Ahhhh moça isso aí não pode plantar não porque se não depois você não pode cortar e dá problema no Ibama!"

Resumindo...temos disponível uma palmeira linda, ameaçada de extinção, e que pouca gente conhece...o que pouca gente conhece pouca gente vende...e isso vira um ciclo em que cada vez mais usamos no paisagismo palmeiras vindas dos cafundós (Austrália, Madagascar, etc..) e  em contrapartida não plantamos e ainda cortamos palmeiras nativas... o que pra mim é TOTALMENTE contraditório!

Por isso tenho o maior orgulho de ter 2 Juçaras no jardim da minha casa! Eles vão ficar lindos e imensos, marcando a entrada de forma majestosa! E ainda como bônus quem sabe alguns tucanos não passam a visitar quando estiver com frutinhos?



Palmitos se destacando na mata.

POR QUE USAR NO PAISAGISMO?
Palmeira linda, nativa, atrai avifauna, contribui para perpetuação da espécie que está em extinção
Altura máxima: 20 metros
Diâmetro do caule: 15 cm
Clima: Tropical, Subtropical
Mudas pequenas devem ser mantidas preferencialmente em meia-sombra, com o crescimento a copa atinge altura e fica exposta a pleno sol. 
Necessidade hídrica: Alta em fase de adaptação
Crescimento: Lento

Gostou da ideia de ter uma palmeira linda e com história para contar? Alguns viveiros vendem palmeiras de até 6 m! Não há mais desculpas para não usar e abusar dessa espécie no paisagismo:





Por que os vasos vietnamitas são tão especiais?


Os vasos são peças fundamentais na decoração interna e externa, e tem cumprido muito bem esse papel desde épocas remotas, tanto que em estudos de arqueologia e história são peças fundamentais para determinar o estilo de vida de sociedades, como por exemplo, gregos, romanos e egípcios.

Diferentemente dos povos antigos, hoje temos acesso aos mais variados artigos de qualquer parte do planeta, e não é diferente com os vasos. A grande estrela do momento é o famoso vaso vietnamita, que está presentes nos mais sofisticados projetos.
Esses vasos ganharam status de estilo, e no mercado já existem diversos vasos de cimento ao estilo vietnamita, que possuem como características o efeito vitrificado no acabamento e as cores diferenciadas.

Mas afinal de contas, o que os vasos vindos do Vietnã  tem de tão especial além da sua beleza? Vou pontuar para vocês algumas curiosidades para entender melhor o porquê de ser  tão especiais:
- O Vietnã possui tradição secular na produção de vasos e outros artigos em cerâmica;
- A  fabricação dos vasos é totalmente artesanal, dessa forma as imperfeições na superfície dos vasos tornam cada peça única e exclusiva;
- Os vasos são feitos em moldes, e não em tornos, e por isso são mais espessos, possibilitando que tenham até 1,60m de altura;
- A argila vietnamita possui mica em sua composição, diferentemente da argila vermelha comum que contém ferro, por esse motivo a cerâmica é mais plástica e  resiste a altas temperaturas ficando no forno a 1300° C por 3 dias na sua fabricação;
- Ao contrario do que todos imaginam a coloração dos vasos não é efeito de pintura, e sim da própria argila e de minerais como cádmio, cobalto, etc., que ao serem aquecidos reagem  possibilitando cores únicas;
- O efeito vidrificado dos vasos não é  verniz, durante a mistura areia ou sílica são adicionadas a argila e ao aquecer derretem e glassurizam a superfície. As trincas e pequenas fissuras são decorrentes desse processo.

Essas são algumas das características que dão personalidade e exclusividade a essas peças, e conhecendo um pouco mais sobre esses vasos é possível compreender porque são extremamente belos e resistentes, e que se não encontrarem ninguém desastrado pelo caminho podem durar uma vida toda!